quarta-feira, 16 de julho de 2014



Brasil teve a maior Copa da história? Só faltou a confirmação dos números
 Alemanha e Argentina decidem o título da Copa do Mundo no Maracanã

Capitão Philip Lahm levanta a taça do tetracampeonato alemão na Copa do Mundo


O Mundial de 2014 terminou no último domingo no Rio de Janeiro deixando aos fãs de futebol ao redor do planeta a sensação do testemunho um dos melhores torneios de todos os tempos. Mas será que o Brasil teve a melhor Copa da história? Quem responde que sim até conta com alguns números a favor. No entanto, o apego vem de impressões que as estatísticas não podem traduzir.
Golaços, vitórias com placar elástico, reviravoltas nos últimos minutos e, principalmente, futebol ofensivo. Representantes da imprensa estrangeira apontaram o Brasil 2014 como a melhor Copa da história.
Após uma preparação tumultuada, cheia de atrasos de obras e atritos políticos com o governo brasileiro, o presidente da Fifa Joseph Blatter também declarou que esta foi a melhor Copa em que já esteve.
No meio do torneio, o ídolo Zico destacou a ofensividade como o grande atrativo do torneio: "essa mentalidade dos técnicos fez com que os jogadores queiram atacar cada vez mais, melhora o espetáculo".
Lukas Podolski, o alemão preferido dos brasileiros, também endossou a tese de melhor Copa: "A cada dia que passa me encanto mais com esse país lindo. Essa energia maravilhosa. Realmente não tinha lugar melhor para jogar uma Copa".
Abaixo, a frieza dos números e a Copa muito além deles. Com qual você fica? 
A COPA NOS NÚMEROS
  • Número de prorrogações: recorde
2014: 8 1990: 8
  • Número de disputa por pênaltis: recorde
2014: 4 1990 e 2006: 4
  • Média de gols na primeira fase
2014: 2,83 (1954: 5,1) 2002: 2,71
  • Média de gols no mata-mata
2014: 2,18 (1930: 6,7) 1998: 2,81
  • Maior goleada
2014: Brasil 1 x 7 Alemanha 1982: Hungria 10 x 1 El Salvador
  • Maior goleada em jogo entre campeões mundiais
2014: Brasil 1 x 7 Alemanha
  • Maior goleada em semifinais
2014: Brasil 1 x 7 Alemanha
  • Média de público
2014: 53.591 (2ª maior) 1994: 68.991

A COPA ALÉM DAS ESTATÍSTICAS
  • Dramas até o fim
A bola na trave do suíço Dzemaili deu um susto nos argentinos no último minuto da prorrogação nas oitavas. Ainda na 1ª fase, a Suíça conseguiu a virada sobre o Equador nos acréscimos. A Holanda virou sobre o México no mata-mata com dois gols nos últimos minutos. A Copa teve outros desfechos emocionantes. O Brasil viveu drama com a bola na trave do chileno Pinilla no fim do tempo extra nas oitavas
  • Futebol ofensivo
O Brasil fez os torcedores do mundo apagarem a impressão de futebol defensivo das últimas duas Copas. Costa Rica, Argélia e, pasmem, até a Grécia. Os pequenos que surpreenderam partiram para o ataque. A Costa Rica foi líder do "grupo da morte" ganhando de Uruguai e Itália. Os gregos campeões da Europa em 2004 na retranca mostraram uma nova cara. Alemanha e Holanda também privilegiaram o ataque
  • Astros brilhando
Depois de duas Copas apagado, Messi finalmente conseguiu uma apresentação digna de sua história. O craque fez gol no Maracanã na 1ª fase e levou a Argentina à final. De resto, Robben fez uma Copa brilhante pela Holanda. Neymar teve bons momentos até se machucar com gravidade. E se C.Ronaldo não fez milagres por Portugal, um jovem colombiano despontou. James Rodríguez terminou como o artilheiro.
  • Goleiros se destacando
Tim Howard foi o nome da campanha dos EUA, sucesso até entre celebridades de seu país. Na derrota para a Bélgica nas oitavas, o goleiro bateu o recorde de defesas em uma única partida de Copa, com 15 intervenções. A Costa Rica jogou no ataque, mas foi Navas o destaque da surpresa da Copa.Tim Krul era reserva na Holanda, mas entrou só para defender os pênaltis que classificaram o time nas quartas
  • Recordes
A marca de maior artilheiro das Copas não pertence mais a Ronaldo. O alemão Klose conseguiu os dois gols que precisava para superar o brasileiro e agora tem 16. Por ironia, a virada aconteceu justamente contra o Brasil. O goleiro colombiano Mondragón agora é o jogador mais velho a atuar em uma Copa. Com 43 anos, ele bateu o camaronês Roger Milla ao jogar alguns minutos contra o Japão na 1ª fase
  • Uma festa para sul-americanos
Argentinos, chilenos e colombianos invadiram o Brasil para ver a Copa. A Argentina teve 100 mil fãs em um jogo em Porto Alegre. O Chile fez história ao bater a campeã Espanha na 1ª fase. A Colômbia chegou às quartas na melhor campanha da história. Por fim, os hinos a capela. Os brasileiros já tinham cantado na Copa das Confederações. Desta vez chilenos e colombianos também fizeram essa festa.
           Fonte:  http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2014/07/14/brasil-teve-a-maior-copa-da-historia-so-faltou- a-confirmacao-dos-numeros.htm 
         

 

terça-feira, 24 de junho de 2014


Enem 2014 tem 8,7 milhões de inscritos e supera expectativa do governo

Ivan Richard
Da Agência Brasil, em Brasília  16/06/201412h28
            O número de inscritos no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2014 cresceu 21,6% em relação ao ano passado e atingiu a marca de 8.721.946 inscritos. O balanço final das inscrições no Enem foi divulgado hoje (16) pelo ministro da Educação, Henrique Paim, e pelo presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), José Francisco Soares.
                As provas do Enem 2014O exame serão aplicadas nos dias  8 e 9 de novembro.
         Segundo Paim, o número de inscritos é superior às expectativas do governo, que era entre 8 e 8,2 milhões de inscrições. "Esse crescimento demonstra exatamente o que viemos falando, que há um despertar da sociedade para a questão educacional em função dos programas federais, que têm crescido", disse o ministro.
             "Triplicamos o número de vagas nas universidades federais, ampliamos a Lei de Cotas, o Prouni [Programa Universidade para Todos] vem mantendo um expressivo número de vagas, o Fies [Programa de Financiamento Estudantil] teve um crescimento muito grande a partir das modificações recentes, são mais de um milhões e seiscentos contratos assinados", acrescentou Paim.
          O presidente do Inep frisou que houve crescimento "expressivo" no número de inscritos nos últimos dois anos. "[O número de inscritos] mostra um crescimento, especialmente acentuado, em termos proporcionais, nos últimos dois anos. A curva vinha crescendo e, em 2013, passou a subir de uma forma acentuada", disse Soares.
           De acordo com os dados do Inep, do total de inscrições, 58,11% são mulheres e 41,88% homens. Os pagantes somam 26,48% e os isentos são 16,33%, que estudam na rede pública, e 57,17%, isentos com carência comprovada.
          A região Sudeste foi a que mais teve candidatos inscritos (35,27%), seguida da região Nordeste (32,99%), Sul (11,97%), Norte (10,89%) e Centro-Oeste (8,85%). São Paulo, com 1.324.486 inscritos e Minas Gerais, com 979.259, foram os Estados com maior número de inscrições no exame.
           Do total de inscritos, 57,91% se declararam negros, 37,7% brancos, 2,15% amarelos, 0,62% índios e 1,59% optaram por não declarar.
Fonte:http://educacao.uol.com.br/noticias/2014/06/16/enem-2014-tem-87-milhoes-de-inscritos-e-supera-expectativa-do-governo.htm
Acessado em 24\06\2014

terça-feira, 1 de abril de 2014

Estudantes brasileiros ficam entre últimos em  teste de raciocínio

Brasil ficou em 38° lugar entre 44 países.
Pisa avaliou pela 1ª vez capacidade de resolução de problemas.


 Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou nesta terça-feira (1°) o resultado do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), que pela primeira vez avaliou a capacidade de 85 mil estudantes de 15 anos do mundo inteiro para resolver problemas de matemática aplicados à vida real. O Brasil ficou em 38° lugar, com 428 pontos, em um total de 44 países (veja o ranking completo ao final desta reportagem).
O resultado do Pisa mostrou ainda que só 2% dos alunos brasileiros conseguiram resolver problemas de matemática mais complexos. Entre os estrangeiros, esse número chegou a 11%.
No caso do Brasil, os meninos tiveram desempenho melhor que as meninas. No teste, os rapazes somaram 436 pontos, contra 412 das garotas.
No desempenho por região do país, os alunos do Sudeste fizeram 447 pontos, seguido por Centro-Oeste (441), Sul (435), Nordeste (393) e Norte (383).
Os líderes do ranking do Pisa são todos asiáticos: Cingapura (562 pontos), Coreia do Sul (561) e Japão (552). Entre os três últimos da lista, estão dois latinos: Uruguai e Colômbia, além da Bulgária. O único país da América do Sul que aparece mais bem colocado que o Brasil é o Chile, na 36ª posição, com 448 pontos.
Em uma das perguntas, por exemplo, o estudante devia selecionar no MP3 o estilo rock, no volume 4, usando poucos cliques e sem nenhum botão "reset" (reiniciar).Para chegar a esse resultado, a avaliação incluiu perguntas em que o aluno tinha de, hipoteticamente, manusear um aparelho de MP3 player e, ainda, comprar bilhetes em uma estação de trem em uma máquina.
As habilidades não cognitivas – ligadas a características como autonomia, raciocínio crítico, liderança, facilidade de relacionamento e tolerância, entre outras – foram testadas pela primeira vez no Pisa, que é um exame reconhecido mundialmente por avaliar o desempenho de estudantes em matemática, ciências e leitura. A prova é aplicada a cada três anos em alunos que concluem o ciclo básico de ensino.
O último resultado do exame foi divulgado em dezembro. Nas três disciplinas, o Brasil teve desempenho baixo entre os países da OCDE. Em matemática, ficou em 58° lugar (foram 65 nações analisadas); em leitura, alcançou a 55ª posição; e em ciências, a 59ª.
Ensino Médio Inovador
O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Francisco Soares, disse em entrevista ao Bom Dia Brasil que o governo quer investir na qualidade do ensino e aumentar a participação de escolas em um programa criado em 2009 para promover a melhoria no currículo e ampliar a carga horária.
"Há um programa que é o Ensino Médio Inovador, no qual essa questão de ser capaz de resolver os problemas concretos que a vida coloca está no centro do projeto pedagógico", diz Soares.
Na semana passada, o Ministério da Educação (MEC) anunciou a criação, em parceria com o Instituto Ayrton Senna, de cursos de pós-graduação no Brasil e no exterior para formar pesquisadores e professores que estudem os impactos das competências socioemocionais (como otimismo, responsabilidade, determinação e curiosidade) no aprendizado dos alunos.
Os detalhes das bolsas, como o número de vagas oferecido, os valores, o tempo de permanência e o perfil de quem poderá se beneficiar será definido em um edital da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (Capes), a ser publicado em até 90 dias.
O ministro da Educação, José Henrique Paim, afirmou que os estados e municípios que promoverem iniciativas para valorizar as competências socioemocionais dos estudantes poderão recorrer a financiamentos do governo federal.
"É um tema novo não só no Brasil. Essa temática precisa ser estimulada em vários aspectos, seja na pesquisa, para formar massa crítica, seja no aspecto que envolve avaliação e implantação de políticas. Queremos também incentivar iniciativas que alguns estados têm. Aquilo que o ministério achar condizente, vamos financiar", destacou Paim.
Veja abaixo o ranking completo do Pisa:
1º) Cingapura - 562 pontos
2º) Coreia do Sul - 561
3º) Japão - 552
4º) China/Macau - 540
5º) China/Hong Kong - 540
6º) China/Xangai - 536
7º) China/Taipé - 534
8º) Canadá - 526
9º) Austrália - 523
10º) Finlândia - 523
11º) Reino Unido - 517
12º) Estônia - 515
13º) França - 511
14º) Holanda - 511
15º) Itália - 510
16º) República Tcheca - 509
17º) Alemanha - 509
18º) Estados Unidos - 508
19º) Bélgica - 508
20º) Áustria - 506
21º) Noruega - 503
22º) Irlanda - 498
23º) Dinamarca - 497
24º) Portugal - 494
25º) Suécia - 491
26º) Rússia - 489
27º) Eslováquia - 483
28º) Polônia - 481
29º) Espanha - 477
30º) Eslovênia - 476
31º) Sérvia - 473
32º) Croácia - 466
33º) Hungria - 459
34º) Turquia - 454
35º) Israel - 454
36º) Chile - 448
37º) Chipre - 445
38º) Brasil - 428
39º) Malásia - 422
40º) Emirados Árabes - 411
41º) Montenegro - 407
42º) Uruguai - 403
43º) Bulgária - 402
44º) Colômbia - 399
Fonte: http://g1.globo.com/educacao/noticia/2014/04/brasil-fica-entre-ultimos-em-teste-para-estudantes-resolverem-problemas.html, em 01-04-2014

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013



Dez escolas públicas mostram como obter bons resultados em matemática

Ranking mundial colocou o Brasil entre os piores no ensino de matemática.


Levantamento mostra bons exemplos em escolas públicas com notas altas.
                Ana Carolina Moreno e Vanessa Fajardo Do G1, em São Paulo 

Otávio Sarti Alves, aluno da Emef Professor José Negri, de Sertãozinho (SP), ganhou a medalha de ouro

na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas em 2013 (Foto: Weber Sian/Jornal A Cidade)





          Levantamento do Movimento Todos pela Educação, feito com exclusividade para o G1, aponta que controlar de perto a lição de casa, oferecer aulas de reforço, incentivar e estimular os professores, e aproveitar parcerias com o governo são algumas das medidas adotadas por dez escolas públicas brasileiras consideradas "bons exemplos" no ensino de matemática. Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2012, divulgados na terça-feira (3), apontam que o Brasil melhorou no conhecimento da disciplina, mas ainda tem muito a avançar. O país ficou em 58º lugar entre 65 nações no ensino de matemática – a grande maioria dos alunos brasileiros sabe somar, subtrair, multiplicar e dividir, mas ainda não consegue aplicar esses conceitos no dia a dia (veja o ranking do Pisa 2012).

        As escolas brasileiras avaliadas pelo Movimento Todos pela Educação (veja relação e dados das escolas no fim desta reportagem) mantêm desde 2007 resultados consistentes e acima da média nacional nas questões de matemática da Prova Brasil, feita a cada dois anos para analisar a qualidade das turmas de 5º e 9º ano do ensino fundamental e de 3º ano do ensino médio. O levantamento revela que alunos dessas escolas têm desempenho similar aos de instituições de ponta, como os colégios militares, federais e de aplicação.
                                                                              Critério de escolha
           O critério de seleção usado no cruzamento de dados foi a porcentagem de alunos do 9º ano do ensino fundamental – idade ideal entre 14 e 15 anos – com aprendizado adequado em matemática acima de 45% na Prova Brasil de 2007, superior a 60% na edição 2009 e maior que 70% em 2011.

          Em 2011, a meta esperada para o Brasil nesse quesito era de 25,4%, mas a média nacional ficou em 16,9%. Tendo desempenho acima de 70%, essas escolas já atingiram a meta do Movimento Todos pela Educação para 2021 para o aprendizado em matemática no 9º ano.
Seguindo os critérios acima, foi possível chegar a um grupo de dez escolas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. No Norte e no Nordeste, as escolas públicas acima das metas são federais, militares ou de aplicação, afirma o Todos pela Educação. Segundo Priscila Cruz, diretora executiva do movimento, as instituições destacadas nesse levantamento mostram que fazer o trabalho básico no ensino pode dar bons resultados. "Elas fazem muito bem feito o básico e conseguem avançar, às vezes mais do que aquelas que ficam inventando coisas mirabolantes", diz.
         Para descobrir os detalhes sobre os projetos pedagógicos desse grupo de escolas municipais e estaduais, o G1 entrevistou professores e diretores. Em comum, as instituições têm o fato de serem pequenas, com menos de 100 alunos matriculados no 9º ano. Elas representam, portanto, o perfil médio das escolas do país – a média de matrículas nessa série foi, em 2011, de 70 alunos. Veja as cinco principais medidas destacadas pelas escolas no levantamento:
Os alunos são avaliados de várias formas, com provas individuais, mensais e bimestrais, exercícios resolvidos em casa e em sala de aula"
1) Não deixar nenhum aluno para trás
           O principal foco das escolas é "não deixar o aluno para trás". As instituições ouvidas pelo G1 não fazem vestibulinho nem selecionam os alunos por desempenho acadêmico. Porém, elas dizem que mantêm o hábito de estar sempre atentas aos estudantes – novos ou antigos– que apresentam dificuldades nas aulas. Em matemática, a criança precisa aprender todo o conteúdo de uma etapa para ir para a fase (série) seguinte. Se não aprender cada um desses passos, vai se perdendo no processo ao longo dos anos. Continuidade no trabalho com os estudantes em todo o ensino fundamental e apoio aos que têm dificuldade são alguns dos segredos por trás do sucesso que a Escola Municipal José Negri, de Sertãozinho (SP), tem obtido nos últimos anos. Em 2011, 80,7% dos estudantes tiveram desempenho adequado em matemática na Prova Brasil – muito acima da meta do país para 2011, de 25,4% dos alunos.

Na Escola Municipal Professor Doriol Benato há
aulas de reforço em matemática no contraturno
(Foto: Arquivo pessoal)


          Lá, além de aulas clássicas de matemática, os alunos estudam no laboratório de informática. Eles também são "avaliados internamente de várias formas, com provas individuais, mensais e bimestrais, exercícios resolvidos em casa e em sala de aula". Um dos caminhos seguidos pelos professores para garantir a fixação do conteúdo é partir do concreto para o abstrato, explica a diretora Inês Angélica Servidoni Nogueira Cabril, de 74 anos. Assim, segundo ela, o aluno constrói o conhecimento através de situações-problema.
         Na Escola Estadual Francidene Soares Barroso, de Itamarati (AM), das oito aulas semanais de matemática para alunos do ensino fundamental e médio, duas são específicas para um melhor desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e duas para a olimpíada de matemática da instituição. "Fazemos acompanhamento a cada prova aplicada. Os professores que trabalham com ensino da matemática têm formação com cursos específicos e trabalham em cima das competências cobradas na Prova Brasil", afirma Gleice Menezes, diretora da escola há 15 anos.
             Os alunos que não acompanham a turma têm aulas de reforço. O colégio, porém, conta com um poderoso aliado. "Os estudantes são muito interessados, sempre dizem que gostam mais de matemática e se identificam com a matéria. Nosso desafio agora é envolver mais as famílias, o que ainda é um problema para nós", diz Gleice.
Só vem o aluno que quer estudar"
Maria Cristina de Moura Fernandes, diretora de escola municipal em Conselheiro Lafaiete (MG). 
            Desde as séries iniciais do ensino fundamental da Escola Municipal Professor Doriol Beato, de Conselheiro Lafaiete (MG), os alunos são livres para participar de atividades extraclasse de reforço, caso tenham dificuldade de aprendizagem específica em matemática. "Só vem o aluno que quer estudar", diz a diretora Maria Cristina de Moura Fernandes, que está na escola há 22 anos e já atuou como coordenadora e pedagoga do colégio. Em 2011, o Doriol teve 76,6% dos alunos com o aprendizado esperado na área.
             Na Escola Municipal Pastor Hans Müller, localizada em Joinville (SC), a evasão escolar e o rodízio de professores são muito baixos. Atualmente, são 830 alunos. Quem entra no 1º ano costuma ficar até o 9º e concluir o ensino fundamental. Na grade curricular, os alunos podem optar entre inglês e alemão. A boa infraestrutura é outra aliada: a instituição tem laboratório de informática, biblioteca, quadra coberta e auditório. "A escola é muito procurada por conta dos bons resultados que alcança. Temos uma demanda grande, há pelo menos 20 crianças na lista de espera para cada série", afirma a diretora Wally Maria Effting.
          É um trabalho mais tradicional. Em matemática tem que fazer exercício, tem que assimilar, tem que entender, fazer, fazer e fazer". Sônia Ruschel Poersch, professora de matemática de colégio estadual de Feliz (RS).
2) Incentivar os alunos já avançados
           Várias das escolas que entraram no levantamento, por terem mais de 70% de seus alunos com aprendizado adequado em matemática em 2011, não se contentam apenas com a palavra "adequada". Por isso, os professores não só ajudam os alunos com maior dificuldade a acompanhar a turma, mas incentivam os estudantes com maior facilidade a continuar avançando em seu próprio ritmo. Uma das maneiras mais comuns de fazer isso é por meio das olimpíadas acadêmicas, principalmente a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep).
             Para estimular o interesse de seus estudantes, a professora Sônia Ruschel Poersch, do Colégio Estadual Professor Jacob Milton Bennemann, do município de Feliz (RS), diz que tomou para si a tarefa de inscrever os alunos nas olimpíadas de matemática e que, apesar de alguns decidirem participar apenas "fazendo por fazer", ela afirma que outros já pegaram gosto pela competição, mas ainda não ganharam medalhas.
           De acordo com Sônia, o que dá resultado é um trabalho constante de cobrança para que os estudantes façam exercícios, incluindo lições de casa várias vezes por semana, com pesquisa e apresentação de trabalhos. Suas ferramentas são velhas conhecidas de todas as gerações: o livro, o caderno, o giz e o quadro negro. "É um trabalho mais tradicional. Em matemática, tem que fazer exercício, assimilar, entender, fazer, fazer e fazer."
          Em Sertãozinho (SP), o estudante Otávio Sarti Alves, de 13 anos, aluno da Escola Municipal Professor José Negri, coleciona medalhas em matemática. "A gente se esforça, mas a qualidade do ensino é o que mais conta", diz. "Perguntam se sou inteligente, mas acho que a inteligência depende do nosso esforço. Por isso, a gente tem que aproveitar as oportunidades que tem na escola."
 
           Na edição deste ano, 19 estudantes da Unidade Escolar Teotônio Ferreira Brandão, escola municipal de Cocal dos Alves, no interior do Piauí, passaram para a segunda fase da Obmep, e 17 foram premiados – um com medalha de prata, cinco com bronze e 11 com menções honrosas. Segundo o diretor do colégio, João de Brito Amaral, os professores vão à escola aos sábados para tirar dúvidas dos alunos, que são incentivados a criar grupos de estudos.
           Principalmente no segundo semestre, e em anos de aplicação da Prova Brasil e outras avaliações, a escola também instituiu um sistema de reforço escolar no contraturno (período inverso àquele em que o aluno está matriculado), no qual alunos do 9° ano são convidados a atuar como professores dos mais novos. "Eles têm uma linguagem até mais acessível aos estudantes das séries menores. A gente só conta com dois professores de matemática para dar apoio", disse Amaral, enfatizando que a escola cumpre todo o currículo obrigatório, e não apenas os conteúdos que caem na Prova Brasil. Em 2011, 89,5% dos alunos do 9° ano apresentaram desempenho adequado na avaliação do MEC.
          De acordo com o rendimento dos alunos da escola José Negri, em Sertãozinho (SP), no contraturno eles têm a possibilidade de estudar de maneira focada. "Temos aulas que chamamos de apoio, no período contrário, para alunos com dificuldades. E também aulas de projetos de olimpíadas para os estudantes avançados. Na sala de aula, há ajuda mútua entre eles: os mais avançados procuram ajudar os que têm maior dificuldade", explica a diretora Inês.
Um dos alunos que acabaram se destacando na escola foi Otávio Sarti Alves, que conquistou uma medalha de ouro na Obmep de 2013.
           Os pais são muito engajados. Fazemos eventos envolvendo as famílias, o que ajuda a melhorar a qualidade do ensino. A receita é simples, há um compromisso de família, escola e corpo docente com a educação".   Vladimir dos Santos Barros, diretor de escola municipal em Miguel Pereira (RJ)
3) Estabelecer laços fortes com os pais
             O envolvimento dos pais é um dos fatores citados por professores e diretores dos colégios ouvidos pelo G1 como causa direta dos bons resultados. Na Escola Estadual Dom Aquino Correia, em Juruena (MT), cidade de 12 mil habitantes e distante 900 km da capital Cuiabá, quem elege o diretor é a própria comunidade escolar. Edilso Bratkoski afirma que cumpre seu segundo mandato e, em 2014, deixará a diretoria para voltar a lecionar química e ciência.
            Marlene de Paula Freitas, que dirige há cinco anos o Educandário Evangélico Ebenézer, em Gurupi (TO), explica que tenta incentivar os professores e fortalecer parcerias com os pais. Entre os projetos que envolvem as famílias, está o Tarefa de Casa, que incentiva os alunos a fazerem lições de casa com frequência. "Toda criança precisa fazer a tarefa. Se não fizer, tem que ficar 10 ou 15 minutos depois da aula para fazê-la", conta Marlene.
          Além da checagem rigorosa do comprometimento dos estudantes com a lição de casa, os professores do educandário ficam de olho no desempenho geral de seus alunos. "Quando a professora percebe que a criança está ficando relapsa, desmotivada, a gente liga para a mãe e faz convite para vir à escola – não deixa só para o final do ano". O mesmo acontece, segundo a diretora do Ebenézer, na hora de identificar e reduzir as deficiências dos alunos novos, caso eles cheguem à escola atrasados em relação aos demais colegas. A Escola Municipal Professor Governador Portela, de Miguel Pereira (RJ), foi inaugurada em 1942 para atender os funcionários da Estação Ferroviária Miguel Pereira, que funcionou até 1996 no distrito de Governador Portela. O colégio esteve em operação por 55 anos, ficou desativado por dois e foi reabertao pela prefeitura em 2000, no mesmo endereço – um prédio histórico. Na Prova Brasil de 2011, 89,7% dos alunos do 9° ano tiveram desempenho adequado em matemática.
         Segundo o diretor Vladimir dos Santos Barros, o respeito adquirido no passado pela escola se mantém entre os alunos, professores e a comunidade até hoje. São 200 alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, muitos deles têm pais que também estudaram no colégio. "Os pais são muito engajados. Fazemos eventos envolvendo as famílias, o que ajuda a melhorar a qualidade do ensino. A receita é simples: há um compromisso de família, escola e corpo docente com a educação", afirma Barros.
           Já a comunidade da escola catarinense Pastor Hans Müller é tão engajada, que os professores se voluntariam para dar aulas de reforço no contraturno escolar. Atualmente, o pai de um dos alunos também faz isso, mas em anos anteriores já houve participação de estudantes do ensino médio de escolas particulares da região. Ainda no período inverso ao das aulas regulares, os estudantes têm como opção atividades como aulas de dança, capoeira e italiano.
  4) Recursos e programas do governo
            O Educandário Evangélico Ebenézer, do Tocantins, tem, além do desempenho acima da média na Prova Brasil e de uma colocação privilegiada entre as 50 melhores escolas públicas do Brasil no Ideb, 70% das medalhas em olimpíadas do conhecimento conquistadas por estudantes do estado, diz a diretora Marlene. Com os bons resultados, vieram também os bônus por desempenho a professores, alunos e até funcionários que cuidam da limpeza e da merenda. A escola também aderiu a programas dos governos. Por causa de um deles, conseguiu mais de 600 laptops, que os alunos usam tanto na escola quanto em casa. Na escola Dom Aquino, de Mato Grosso, o foco da equipe gestora é trabalhar a leitura e interpretação de texto com os alunos, o que também resulta em bons resultados em matemática. Mas o incentivo está ancorado em infraestrutura: para incentivar a leitura entre os mais de mil estudantes da escola, entre ensino fundamental e Educação de Jovens e Adultos (EJA), a biblioteca é bem "recheada". São quase 9 mil títulos, além de revistas e gibis. "Costumamos comprar livros que os alunos indicam e, em média, fazemos 120 locações por dia." Os professores também levam para salas de aula uma "caixa de leitura", com alguns livros que os alunos leem durante os intervalos. 
5) Formação continuada dos professores
          Incentivo à reciclagem e à formação continuada dos professores de todas as áreas, incluindo matemática, também é um fator que ajudou as escolas públicas (fora das redes federal, militar e de aplicação) que já bateram a meta nacional para 2021 em matemática no 9° ano do ensino fundamental. Dos três professores de matemática da Escola Estadual Pio XII, de Bom Princípio (RS), dois já concluíram cursos de especialização e um atualmente faz mestrado, por exemplo.
          Os professores são concursados e permanecem muitos anos na escola. Isso permite que eles conheçam bem as crianças e acompanhem durante os nove anos". Wally Maria Effting, diretora de escola municipal de Joinville (SC). Segundo a diretora Maridalfa Luft, a formação dos professores é um fator positivo não só em matemática, mas em outras matérias. "Aprimorar a capacidade de leitura e interpretação de textos, desenvolver a habilidade de argumentação, modelar, elaborar hipóteses em experimentos e estimular a criatividade são algumas entre muitas atividades que contribuem para o sucesso da aprendizagem e acabam refletindo no aprimoramento do processo de ensino e aprendizagem", explica Maridalfa. Sem bônus financeiro atrelado ao desempenho dos professores ou recursos tecnológicos que vão além de uma sala digital, a diretora conta que a escola se apoia na dedicação dos profissionais, no trabalho consistente em todos os níveis de ensino, na participação dos pais no cotidiano escolar e no aproveitamento de todas as oportunidades, como as olimpíadas de língua portuguesa, matemática e física, da qual a Pio XII teve um aluno selecionado para a segunda fase já em sua estreia, no ano passado.
             Para garantir que todos os estudantes consigam acompanhar os conteúdos em sala de aula, os professores investem na recuperação deles e "desenvolvem atividades diferenciadas para oferecer novas opções de compreender conceitos que não foram entendidos de forma satisfatória". Além disso, há promoção de atividades em grupo, nas quais os colegas se ajudam mutuamente. Com os pais, a diretora procura sugerir atividades de lazer que também ajudam na fixação da matéria, como jogos educativos e práticas que usam o raciocínio e a elaboração de estratégias, como o xadrez. 
          A diretora Wally Maria, da escola Pastor Hans Müller, em Joinville (SC), destacou a baixa rotatividade de docentes como um indicador de qualidade. "Os professores são concursados e permanecem por muitos anos na escola. Isso permite que eles conheçam bem as crianças e as acompanhem durante os nove anos. Os pais também são muito presentes e ajudam a cobrar as tarefas em casa", afirmou. A cooperação entre professores também dá resultados. Na escola mineira Doriol Beato, os alunos com dificuldades em matemática têm dois professores à disposição: o regular, da sala de aula, e o "recuperador", que ensina no contraturno. "Há um trabalho de equipe: um professor sempre dá continuidade ao trabalho do outro na série seguinte", afirma a diretora Maria Cristina, da Escola Estadual Pio XII, de Bom Princípio (RS).
Veja lista de dez escolas públicas com bons resultados em matemática:
Escola Estadual Dom Aquino Correa
Cidade: Juruena (MT)
Matrículas no 9º ano em 2011: 61
Participação na Prova Brasil 2011: 88,5%
Aprendizado adequado em matemática: 55,1% (2007), 64,7% (2009) e 73,9% (2011)
Diferencial: Diretor eleito, foco em leitura e intepretação
Educandário Evangélico Ebenézer
Cidade: Gurupi (TO)
Matrículas no 9º ano em 2011: 57
Participação na Prova Brasil 2011: 100%
Aprendizado adequado em matemática: 49,1% (2007), 65,8% (2009) e 78,9% (2011)
Diferencial: Nenhum aluno é deixado para trás
Escola Municipal Prof. Governador Portela
Cidade: Miguel Pereira (RJ)
Matrículas no 9º ano em 2011: 30
Participação na Prova Brasil 2011: 96,7%
Aprendizado adequado em matemática: 88,9% (2007), 77,4% (2009) e 89,7% (2011)
Diferencial: Respeito pela história da escola
Col. Estadual Prof. Jacob Milton Bennemann
Cidade: Feliz (RS)
Matrículas no 9º ano: 32
Participação na Prova Brasil 2011: 84,4%
Aprendizado adequado em matemática: 53,6% (2007), 71,4% (2009) e 74,1% (2011)
Diferencial: Foco na prática dos exercícios, uso do quadro-negro convencional
Escola Municipal Pastor Hans Müller
Cidade: Joinville (SC)
Matrículas no 9º ano em 2011: 106
Participação na Prova Brasil 2011: 92,5%
Aprendizado adequado em matemática: 49,2% (2007), 69,0% (2009) e 72,6% (2011)
Diferencial: Pouca evasão, aulas de alemão e voluntários ensinando no contraturno
Escola Municipal Professor José Negri
Cidade: Sertãozinho (SP)
Matrículas no 9º ano em 2011: 78
Participação na Prova Brasil 2011: 100%
Aprendizado adequado em matemática: 77,6% (2007), 75,8% (2009) e 80,7% (2011)
Diferencial: Apoio a quem tem dificuldade e incentivo a quem tem facilidade
Escola Estadual Francidene Soares Barroso
Cidade: Itamarati (AM)
Matrículas no 9º ano em 2011: 145
Participação na Prova Brasil 2011: 77,2%
Aprendizado adequado em matemática: 58,9% (2007), 81,7% (2009) e 78,3% (2011)
Diferencial: Aulas focadas na Prova Brasil e nas olimpíadas de matemática
Escola Estadual Pio XII
Cidade: Bom Princípio (RS)
Matrículas no 9º ano em 2011: 28
Participação na Prova Brasil 2011: 85,7%
Aprendizado adequado em matemática: 60,0% (2007), 69,2% (2009) e 70,8% (2011)
Diferencial: Professores sempre em formação
Unidade Escolar Teotônio Ferreira Brandão
Cidade: Cocal dos Alves (PI)
Matrículas no 9º ano em 2011: 41
Participação na Prova Brasil 2011: 92,7%
Aprendizado adequado em matemática: 60,5% (2009) e 89,5% (2011). A escola não teve o resultado da Prova Brasil 2007 divulgado pelo MEC
Diferencial: Alunos mais velhos ensinam os mais novos
Escola Municipal Professor Doriol Beato
Cidade: Conselheiro Lafaiete (MG)
Matrículas no 9º ano: 191
Participação na Prova Brasil 2011: 91,6%
Aprendizado adequado em matemática: 80,3% (2007), 70,1% (2009) e 76,6% (2011)
Diferencial: Professor "recuperador" no contraturno

Fonte:   G1 acessado em   05/12/2013 08h21